Vendo um desfile com outros olhos
Por Roberto Sena*

Muitas pessoas me questionam sobre um tema que ainda não está muito bem explicado pela maioria dos meios de comunicação: um desfile. Costumo ouvir de tudo por parte das pessoas que não estão envolvidas com o universo da moda, e como minha obrigação tenho o dever de tentar explicar para que não pareça algo que quase todos imaginam ser, ou seja, um carnaval sem sentido. Além disso, muitos afirmam que jamais teria a coragem de usar o que se vê nas passarelas em seu cotidiano, por parecer muitas vezes algo alegórico.
Esse acontecimento nada mais é do que um fashion show, quer dizer, um show onde quase sempre o excesso é item obrigatório. Refiro-me aos volumes, maquiagens, movimentos, e claro, as roupas.
Como disse certa vez John Galliano: “Os desfiles são teatro e fantasia. Inspiram e provocam emoções, mas a roupa é real, e quando uma mulher veste um de meus vestidos vive um sonho, se converte na protagonista desse teatro. Quem pense ao contrário que faça a prova. Me dará razão”.
Gosto de lembrar sempre em minhas conversas que um desfile é uma aposta, e que ainda que uma roupa não pareça algo que se possa usar no cotidiano, temos que olhar com atenção cada peça.
No caso do diretor criativo de Dior, Galliano mostra o resultado do trabalho de seis longos meses em apenas 20 minutos, por esse motivo os detalhes são importantes.
Para que um fashion show seja realmente um espetáculo vale tudo, e quando existe dinheiro por trás dos bastidores vale até trazer um iceberg gigante da Escandinávia, como fez Karl Lagerfield para apresentar uma de suas últimas coleções para Chanel. Eram 240 toneladas de gelo que chegaram em uma caixa de 5.300 metros quadrados, como informou uma vez a revista espanhola Telva.
Devido ao grande espetáculo que se tornou cada apresentação de coleção o publico que não está envolvido com moda enxerga tudo isso como um verdadeiro circo, e por esse motivo o verdadeiro sentido de cada show perde seu glamour. É preciso recordar que devemos captar o sentido de cada coleção e o tipo de mulher que o estilista e sua criação querem transmitir. Muito do que está ali é apenas tendência, ou seja, que cores, cortes, tecidos e muito mais que está sendo apresentado poderá ser usado em novos desenhos.
Há muito tempo o front row deixou de ser apenas como a primeira fila de assentos para se transformar também em parte fundamental do espetáculo. Essa fila não pertence mais aos amigos do estilista, muitos menos aos empresários e compradores, e fazem parte dela já há algum tempo muitas celebridades, que pelos olhos do marketing trazem ainda mais atenção ao que vai ser exibido na passarela.
Em outras palavras o desfile também faz parte do processo de marketing de venda de cada marca, e por esse motivo muitas vezes tal acontecimento não é notado como realmente deveria ser, enfim, está se tornando algo cada vez mais complexo de entender, isso pelo menos se você não acompanhar a sua constante evolução.
*Roberto Sena é um blogueiro apaixonado pelo que faz, um ser comum encantado pela moda, além de tudo aquilo que exala beleza, sem esquecer de mencionar que é amigo de todos. É responsável pelo Life Behavior, e atualmente mora em Madri, na Espanha.


























